A Familia

Viver nem contigo, nem sem ti!

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“Às vezes penso que sou um extraterrestre, que penso diferente de todas as pessoas e que tudo o que me acontece é uma espécie de retorno de alguma coisa que eu já fiz anteriormente. Mas depois de pensar mais um pouco, penso que não! Que as coisas que me acontecem não me acontecem porque eu fui má ou fiz mal a alguém. Mas sim porque eu deixo acontecer. Mas caramba Laura ACORDA………… Já te lixaste muitas vezes por muita gente, porquê te magoares de novo? Deves ser mesmo masoquista!!!! Se não dá, não dá. Não fiques mais tempo à espera, quanto mais esperares mais infeliz vais ser! E a conclusão vai ser sempre a mesma. NINGUÉM MUDA a não ser que esteja disposto a isso. Das cabeçadas que dei na vida, acho que nunca consegui fazer nada por mim, só consegui fazer pelos outros. E depois lixo-me vez atrás de vez e não aprendo. Será que eu sou mesmo mais uma dependente mas em vez de ser de droga e de cigarros, sou dependente de amor? Caramba, se é isso sou mesmo azarada… Todos os viciados em droga, tabaco, bebida ou jogo, conseguem comprar em qualquer lado o seu vício e ter prazer com ele. E eu? Não existem lojas nem dealers onde se possa comprar amor, carinho, sentimentos! Às vezes era melhor ser mesmo viciada noutra coisa qualquer que me fizesse esquecer, que me fizesse destruir sem sentir, mas não! Para variar tinha que escolher o caminho mais difícil e viciar-me numa coisa que nunca tive, amor, carinho, compreensão, e que ninguém nunca me soube dar ou se deu não era a pessoa que eu queria que desse. Porque é que quem eu amo não me ama? E quem eu não amo corre atrás de mim?
Acho que tenho que me dedicar à pesca……. Acho que tenho que me dedicar à carreira e o resto que se lixe. Como uma amiga minha diz: As coisas só têm a importância que lhes damos e as pessoas também. Acho que vou deixar de dar importância às pessoas, não valem a pena. Só levo patada em troca.
Estou farta! Farta!
Eu quero ser amada como se o mundo fosse acabar e a pessoa tivesse um medo de morte de me perder……………………………
Mas não! Em vez disso o que recebo é SOLIDÃO.
Sinto-me invisível! Sinto-me inútil! Qualquer coisa me substitui, AINDA BEM! PELO MENOS A OUTRA PESSOA NÃO SE SENTE SOZINHA. Ou pelo menos não demonstra. E se se sente sozinha e não fala, então a culpa é dela. Eu falo, eu esperneio, mas não adianta.
Será que estou condenada à solidão? Será que estou condenada a viver sem quem amo? Meu Deus, porque não me levas então e acabas com esta dor?!
Desta vez pensava que ia ser feliz e que as coisas iam ser diferentes. Porque foram iguais? Porquê? Será que eu estou sempre destinada a levar sempre patadas do homem que eu AMO?”

Laura, 28 anos, Engenheira Informática e… apaixonada loucamente por alguém…

 

 

 

 

 

 

Para quem acha que o amor é só rosas, que é um sentimento lindo que nos enche de felicidade e bem-estar, eis uma faceta negra e espinhosa deste tão aclamado sentimento: ele também pode provocar dependência, ser nefasto e destruidor. O que acabou de ler é um desabafo que muito gentilmente me foi cedido por uma cliente, que o levou para a consulta no intuito de demonstrar o desespero em que se encontra. Este é um vício diferente. Diferente porque realmente não se pode adquirir esta “substância” com facilidade, em qualquer esquina, bairro, traficante, casino, café, e sobretudo porque pode viciar quem nunca o experimentou. Que vício tão estranho, não? Este artigo é dedicado a todas as mulheres e homens que “amam de mais”, incondicionalmente, como se não houvesse nem amanhã, nem mais nada!
Porque é que, por vezes, nos deparamos com casos de pessoas que tanto amam quem nada lhes dá? Dar no sentindo “amoroso” do termo. Afinal, porque é que somos capazes de gestos tão profundos de amor, de nutrir um sentimento tão forte e por vezes até descontrolado, por quem nada nos demonstra e nos chega a tratar com indiferença? Isto em matéria de sentimentos, muitos anos de estudo e pesquisa serão necessários… Mas uma coisa é certa: quando estamos numa relação em que escasseia o amor que nos é dado, perante alguém que tanto amamos, qualquer pequenino momento de felicidade, de atenção, de afecto, é sentido com uma intensidade indescritível, e é o motor daquilo a que chamamos “esperança”. Esperança que a situação mude, que a pessoa em causa nos passe a tratar mais vezes daquela maneira… mas não. Na maioria das vezes isto não corresponde de todo à realidade. Por vezes até pelo contrário, os momentos de afecto vão sendo cada vez mais escassos. E é aqui que podemos parar e pensar: “Porque carga de água estou eu a contentar-me com tão pouco? Não existem mais homens/mulheres no mundo?”. Sim, de facto existem, mas é aquela pessoa que nós queremos! Queremos ser felizes sim, mas com aquela pessoa, na qual investimos tanto capital afectivo e sem a qual não nos imaginamos. Afinal, sem ele/ela, a nossa vida perderia todo o sentido.
Quando falamos em “dependentes de amor” ou “dependentes de relação”, seja ela qual for, falamos em pessoas que ficam “sem chão”, como se lhes puxassem o tapete, caso fiquem sem o “elemento” amado. Falamos também em pessoas para as quais amar se torna um sinónimo de sofrer, mas sobretudo em seres humanos que têm capacidades e recursos como todos os outros, que merecem e podem ser felizes.
Tal como qualquer outro tipo de dependência, esta também tem cura. O primeiro passo, e talvez o mais difícil, é tomar consciência que se está numa relação destas e que, manter este vício, se estar a tornar cada vez mais prejudicial, nefasto e ausente de gratificações “que se vejam” a olho nu (sem procurarmos desesperadamente um momento qualquer daquela relação que nos faço sentido, nos preencha). As relações de dependência não são uma cruz, um destino traçado ao qual não podemos fugir. São disfuncionais, é certo, mas, como tudo na vida, têm remédio.
Depois de reconhecer, segue-se o momento da decisão. Aqui as dúvidas e os medos são mais que muitos: “Será que não me estou a precipitar? ; “Se calhar isto é só uma fase”; ”O que vou fazer depois sem ele/ela?”; “E se eu me arrepender?”. E que tal o seguinte: E se daqui por uns anos der por si a pensar no que perdeu e, aí sim, já for tarde demais? Nunca é tarde, é certo, mas quem lhe devolve aqueles anos “perdidos”? Aqueles que passou à espera que aquela pessoa olhasse para si, lembra-se? Pois é. Tomar decisões, fazer escolhas, não é tarefa fácil, nunca o foi, mas é necessário. Todos os dias temos de tomar decisões, umas mais importantes que outras, mas são decisões.
E não, não está sozinha/o. Tem sempre amigos, familiares, profissionais de saúde e acima de tudo, tem-se a si mesma/o! E pode sempre descobrir uma relação de amor bem saudável com o seu próprio umbigo! Olhe que é onde tudo

Ana Crespim
Psicóloga Clínica
www.oficinadepsicologia.com
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