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‘Viagra’ para as mulheres chega a Portugal em 2011

Fármaco começou por ser um antidepressivo falhado, mas consegue aumentar o desejo sexual das mulheres O primeiro comprimido para aumentar o desejo sexual das mulheres chega a Portugal já em 2011. Ainda não tem preço nem aspecto, chama-se flibanserina, e pretende ser a solução para a disfunção hipoactiva do desejo sexual que afecta 35% das portuguesas.

"É a disfunção mais frequente nas mulheres e, apesar de ainda haver pouca informação acerca da flibanserina, este medicamento aparenta ser altamente favorável para o seu tratamento", explicou ao DN o sexólogo Santinho Martins.

Segundo revelou o ensaio clínico do fármaco, com testes realizados nos Estados Unidos e Europa, as mulheres que tomaram flibanserina, durante os seis meses que duraram as provas, declararam terem relações sexuais mais satisfatórias do que aquelas a quem se administrou um placebo.

"É um medicamento que actua sobre a serotonina, um neurotransmissor que tem bastante importância no desejo sexual. Começou a ser desenvolvido como um antidepressivo, mas não mostrou eficácia nesta função", esclarece Carlos Trabulo, director médico da Boehring-Ingelheim, empresa alemã que quer fabricar o Viagra feminino. No entanto, ao contrário do Viagra (masculino) o produto para as mulheres é um medicamento que será usado para tratar a falta de prazer e não uma solução imediata para um problema (a disfunção eréctil).

Os investigadores da Boehring-Ingelheim aperceberam-se do que tinham descoberto quando viram os efeitos que este medicamento provocava nas mulheres: "Aumentava o número de relações sexuais satisfatórias", complementa Carlos Tabulo.

Antes do teste, as mulheres participantes declararam ter em média 2,8 relações sexuais satisfatórias por mês. As que tomaram diariamente flibanserina viram a média aumentar para 4,5 vezes, em comparação com as 3,7 que disseram ter as que tomaram o placebo. Nenhuma delas sabia se estava a tomar o fármaco verdadeiro ou comprimidos falsos. Segundo os relatórios, houve mesmo mulheres que se recusaram a entregar os comprimidos após os testes.

"É um medicamento que necessita de tratamento que dura entre duas a quatro semanas. Terá de ser prescrito após diagnóstico médico que prove que a mulher sofre de disfunção hipoactiva do desejo sexual", informa o director médico.

Também não vai ser pedido qualquer tipo de comparticipação do Estado. "Normalmente este tipo de medicamentos não são comparticipados. Sabendo qual é, normalmente, a actuação das autoridades portuguesas em relação a estes fármacos, nem se quer vamos pedir comparticipação", acrescentou Carlos Tabulo.

Neste momento acabou a fase de testes. "Vamos submeter as informações e resultados das provas às autoridades médicas no início de 2010", diz o director médico da Boehring-Ingelheim.

Segundo um estudo realizado no ano passado pela Sociedade Portuguesa de Andrologia e pelos laboratórios Pfizer, 56 por cento das mulheres em Portugal apresenta ou apresentou algum tipo de distúrbio sexual. Entre estas, 35 por cento tem desejo hipoactivo ou aversão e 32 por cento revela dificuldades em atingir o orgasmo. Já a nível mundial, a falta de desejo afecta 10 por cento das mulheres, segundo dados revelados no ano passado, no Congresso da Sociedade Europeia de Medicina Sexual em Lyon (França).

in dn.sapo.pt

 

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