Saúde & Beleza

Tenho reumatismo

triste2

Não é um termo rigoroso do ponto de vista médico, mas a verdade é que é o termo mais usado pelos doentes quando se referem ao que os aflige: reumatismo vale por cada uma das muitas doenças reumáticas de que sofrem cerca de 2,7 milhões de portugueses. São muitos doentes – equivalentes a um quarto da população – porque, afinal, este é o conjunto de patologias mais frequente no ser humano. E assim continuará muito provavelmente a ser, pois a população mundial está a crescer e, sobretudo, a envelhecer. A população portuguesa não conhece um crescimento visível, mas o envelhecimento é uma realidade inegável, o que confirma a regra de que as doenças reumáticas irão continuar a prevalecer: são as pessoas acima dos65 anos que mais sofrem, com maior peso para as mulheres – no nosso país calcula-se que haja 1.700 mil doentes do sexo feminino e 970 mil do masculino.

 

Mas não são apenas os idosos que sofrem: há doenças reumáticas que afectam as crianças e os jovens – é o caso da artrite reumatóide – acompanhando-os ao longo da vida, com maior ou menor limitação física.

 

Ainda assim a idade (elevada) é um factor de risco, a que se junta a obesidade, o tabagismo e a ingestão de bebidas alcoólicas em excesso. Algumas apresentam riscos específicos, relacionados com a actividade laboral, a prática desportiva ou mesmo o lazer.

 

Sob a designação de doenças reumáticas escondem-se mais de uma centena de patologias, cada qual com vários subtipos. São todas doenças dos músculos e do esqueleto, de causa não traumática e que partilham sintomas como a dor, a tumefacção (inchaço) e a limitação da mobilidade.

 

São, no entanto, doenças muito diferentes. Tão diferentes como a artrite reumatóide, a artrose, a osteoporose, o lúpus eritematoso sistémico, a espondilite anquilosante, a gota, as tendinites e a febre reumática. Os exemplos que se seguem dão conta dessa diversidade:

 

Artrite – articulações dolorosas

 

Tal como as doenças reumáticas, também a artrite é a designação genérica para várias patologias que têm em comum a dor e inflamação nas articulações. Tendões, ligamentos e músculos, bem como a pele, podem igualmente ser lesados por uma destas doenças de causa ainda pouco conhecida.

 

É lenta e progressivamente que a artrite se instala, acabando por se manifestar através de dor nas articulações das mãos e dos pés e ainda nos cotovelos, embora órgãos como os olhos e o coração e glândulas como as salivares e lacrimais possam também ser afectados.

 

São dois os tipos de artrite mais comuns: a artrite reumatóide e a osteoartrose. A primeira incide mais sobre o sexo feminino, numa proporção de três mulheres para um homem, sendo mais frequente entre os 40 e os 50 anos. Trata-se de uma doença auto-imune, o que significa que se deve a uma alteração do sistema imunitário que ataca o organismo em vez de o defender.

 

Quanto à osteoartrose, é mais comum a partir dos 50 anos, com a prevalência a aumentar com a idade e a obesidade. Produz desgaste da cartilagem articular, pelo que o movimento das articulações acaba por causar dor e inflamação.

 

É através da dor, acompanhada de dificuldade em caminhar, que o corpo dá sinais de que algo está mal com as articulações. Outros sintomas menos específicos se lhe juntam – febre, perda de peso, problemas respiratórios, comichão.

 

O tratamento dirige-se precisamente para o alívio da dor e da inflamação e da rigidez das articulações. Mas, pode acontecer que, mesmo com medicação, a dor se mantenha: nessas ocasiões o doente pode adoptar alguns cuidados que o ajudem a sentir-se melhor, tais como tomar um banho morno, aplicar gelo na área afectada, repousar a articulação em causa e fazer alguns exercícios leves.

 

Espondilose – vértebras apertadas

 

É mais conhecida como "bicos de papagaio" mas o seu nome médico é espondilose ou espondilartrose.

 

Caracteriza-se por desgaste num ou mais discos da coluna vertebral, o que faz com que o espaço entre as duas vértebras que une fique mais pequeno: em consequência o osso dos pratos vertebrais aumenta de espessura, dando origem a saliências ósseas nas margens das vértebras.

 

Ao contrário da maioria das doenças reumáticas, afecta igualmente os dois sexos. É mais comum a partir dos 40 anos e entre grupos profissionais sujeitos a trabalhos mais violentos, logo a maior desgaste das articulações: é o caso de agricultores, estivadores, pescadores, entre outros.

 

A dor é, novamente, o sintoma que denuncia a doença, uma dor na coluna lombar descrita como uma "moinha" embora possam ocorrer guinadas – episódios muito dolorosos e de curta duração denominados lumbagos. A dor pode ainda irradiar pelas pernas – ciática – acompanhada de formigueiro e adormecimento e agravando-se com esforços mínimos como tossir e espirrar.

 

Para o lumbago e a ciática, o repouso (em cama dura) é o melhor tratamento, mas pode ser necessário recorrer a medicamentos para a dor ou relaxantes musculares.

 

Esclerodermia – pele endurecida

 

É também designada esclerose sistémica esta doença reumática crónica caracterizada por alterações vasculares, produção de anticorpos que atacam o próprio corpo e aumento do tecido fibroso, quer na pele, quer em órgãos internos. O endurecimento da pele é, aliás, a expressão mais visível desta doença que atinge sobretudo pessoas entre os 25 e os 55 anos, com predominância do sexo feminino.

 

Não existe um tratamento global para a esclerodermia, tudo dependendo dos sintomas e dos órgãos envolvidos. Mas entre os meios terapêuticos mais usados incluem-se medicamentos vasoactivos e anti-hipertensores, medidas de protecção da pele e das articulações, medicina física e de reabilitação, abandono dos hábitos tabágicos e apoio psicológico (o aspecto da pele faz recear o contágio, o que pode afectar a auto-estima e gerar comportamentos depressivos ou de isolamento).

 

Síndrome de Sjögren – sem fluidos

 

É uma doença auto-imune, com o sistema imunitário do doente a atacar as glândulas produtoras de lágrimas e de saliva. O resultado é secura nos olhos e na boca. Pele, nariz e vagina podem também ressentir-se desta falta de fluidos, o mesmo acontecendo com outros órgãos, inclusive rins, pulmões, fígado e cérebro. Além da secura, a doença manifesta-se através de fadiga e dores nas articulações.

 

É uma síndrome mais feminina, de diagnóstico difícil pois há outras doenças e até medicamentos que causam secura. E é para atenuar este ressecamento que se dirige o tratamento, à base, por exemplo, de lágrimas artificiais e substitutos da saliva.

 

Estes são apenas exemplos das muitas doenças reumáticas. Quase todas crónicas, mas com tratamento, são muitas vezes negligenciadas, com as queixas a surgirem já quando há incapacidade física. A dor, enquanto sintoma comum, não deve ser ignorada: mais vale actuar a tempo para preservar a mobilidade e a qualidade de vida.

 

 

 

Pelos que sofrem

 

Foi pelos cerca de 2,7 milhões de portugueses que sofrem de algum tipo de doenças reumáticas que nasceu a Liga Portuguesa contra as Doenças Reumáticas (LP CDR). Instituição de âmbito nacional, teve a sua génese em 1969 quando médicos do Instituto Português de Reumatologia propuseram a criação de uma organização social de luta contra o reumatismo.

 

A designação mudou, por ser mais consistente com a realidade médica – já não se fala em reumatismo mas em doenças reumáticas – mas a missão continua a ser a mesma: o apoio a todos os que sofrem destas patologias, contribuindo para a sua integração na sociedade, para a criação e manutenção de centros especializados de diagnóstico, tratamento e recuperação.

 

Para a prossecução dos seus objectivos, a Liga associou-se em Janeiro de 2002 à Plataforma Saúde em Diálogo, uma entidade de cooperação e entreajuda que reúne doentes, profissionais e outros promotores de saúde.

 

São os seguintes os contactos da LP CDR:

 

Morada: Av. de Ceuta – Norte, Loja 2, 1350-410 Lisboa
Tel: 21 3648776
Fax: 21 3648769
Email: lpcdr@lpcdr.org.pt
Página na Internet: www.lpcdr.org.pt.

Fonte: FARMÁCIA SAÚDE – ANF

Sobre o Autor

aMulher

aMulher

A equipa de aMulher.com

Deixe o Seu Comentário