C.S.I. - Coluna de Sexualidade Informativa

Sexo Anaeróbico é perigoso?

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sexanasEsta questão recorda, uma outra, meio anedótica, sobre “se o café pode matar”. Na realidade, o café pode matar: principalmente se levarmos com uma saca de 100 quilos dele na cabeça… O sexo anaeróbico (na interpretação de um desempenho de alta intensidade) pode ser perigoso, como o sexo aeróbico ou o sexo assistido por garrafa de oxigénio, anfetaminas e Coca-Cola (passo a publicidade). Tudo depende do estado de saúde cardiovascular e do sistema respiratório dos praticantes e da solidez da cama (se for o caso). A menos que, por sexo anaeróbico, se esteja a querer dizer uma prática sexual (ou, simplesmente, uma busca de prazer erótico parafílico), na qual se procura chegar à asfixia (controlada, mas nem sempre…) como forma de se atingir um estado de descontrolo fisiológico, através do corte, por falta de oxigénio, da ligação entre o lobo frontal do cérebro e as estruturas que asseguram a inibição voluntária de processos psicofisiológicos, como as fantasias, e a excitação sexual ou de sistemas semi-autónomos como a erecção ou até o orgasmo. Nesse caso, esta introdução, meio simplista deve tomar outro rumo: a asfixiofilia, auto induzida ou provocada, consentidamente, por terceiros, como prática sadomasoquista, implica um risco de morte ou de sequelas cerebrais nada desejáveis. Pseudo-enforcamentos associados a masturbação (nos quais o risco de desmaio pode impedir o controlo da asfixia); sacos de plástico na cabeça, máscaras de gás ou de borracha, almofadas contra o nariz e boca ou o uso de mecanismos de asfixia temporários, dos quais o mais comum e antigo é o das mãos à volta do pescoço (mãos de outra pessoa, entenda-se) são recursos para esta prática, quase em exclusivo relacionada aos homens. Nas práticas sadomasoquistas, na situação de dominados, onde o prazer procurado é mais o do risco e o de ter a vida nas mãos de terceiros (no sadomasoquismo, em 100 praticantes há 95 mulheres dominadoras…) os homens que procuram esta forma de prazer correm, relativamente, menos perigos que quando o fazem sozinhos, porque existe uma outra pessoa a controlar a asfixia, mas os acidentes também acontecem e podem ser fatais. Mas vamos ater-nos ao sexo anaeróbico to court. O que é que isso pode significar? A actividade física anaeróbica é aquela em que o organismo, sujeito a um esforço de grande intensidade (e obrigatoriamente, de curta duração), passa a consumir energia produzida por processos metabólicos sem o auxílio do oxigénio. Nestas situações, o organismo queima, com grande rapidez, hidratos de carbono e proteínas (lípidos não), mas fá-lo incompletamente, deixando resíduos superiores aos processos aeróbicos (resultantes de actividade física menos intensa e mais prolongada no tempo), em que os produtos da degradação dos hidratos de carbono, das proteínas e das gorduras são apenas dióxido de carbono e água. Um dos produtos da degradação dos nutrientes na actividade anaeróbica é o ácido láctico, que é um dos responsáveis pelo cansaço. Deste modo e por analogia, o sexo anaeróbico será uma actividade sexual de alta intensidade mas medida ao cronómetro (o máximo 3 minutos e é para quem tiver muito treino…), que, como já se disse, o ácido láctico tira o fôlego rapidamente. Entretanto, toda a relação sexual envolve actividade física aeróbica e anaeróbica, embora esta última seja apenas residual. O sexo anaeróbico como objectivo envolverá, como já se referiu, uma actividade muito intensa ou, na ausência forçada de oxigénio tapando o nariz e a boca, por exemplo. Mas porquê esta variante, excluindo o tema da asfixiofilia, já abordado? Será para aumentar a produção de Opióides endógenos (beta-endorfinas, por exemplo)? De facto a actividade anaeróbica parece favorecer a produção de beta-endorfinas. Mas, o exercício aeróbico também as produz! Será por contraponto ao sexo tântrico, calmo e de longa duração (24 horas em contínuo, segundo algumas descrições…) e onde a mulher é a rainha? Será uma homenagem aos velhos tempos, em que as contingências situacionais e de escassa liberdade obrigavam à rapidez e intensidade (“antes que chegasse alguém…”), mas a expensas do prazer feminino e com os olhos e os ouvidos num permanente alerta possível? Ou será, antes, mais um subsídio à obsessão pelo “exercício físico” a qualquer hora, em qualquer lugar, incluindo o sexo como desporto de alta competição? Seja como for, sexo anaeróbico por descontrolo do desejo, ainda vá – embora sempre se perca o prazer da actividade aeróbica mais prolongada. Mas, por decisão voluntária? Se assim o entenderem – esperemos que com o par de acordo, senão pareceria uma violação speedada … – que o façam: não há-de ser por isso que sexo anaeróbico irá aparecer na Certidão de Óbito…

Dr.º Marcelino Mota
Sexólogo
Especialista no Portal amulher.com
http://www.marcelinomota.com/

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