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Portugueses utilizam cada vez mais Botox, produto associado a efeitos graves e até a morte

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O Ministério da Saúde canadiano advertiu para os efeitos graves e até a morte associados ao uso da toxina botulínica, comercializada com o nome Botox, um produto cada vez mais utilizado em Portugal para fins clínicos e estéticos.
    A advertência do Ministério canadiano da Saúde refere-se ao risco da “propagação da toxina por outras partes do corpo” nos casos em que o Botox é injectado.

    “Enfraquecimento muscular, problemas de deglutição, pneumonia, dificuldades na fala e respiratórias são alguns dos sintomas possíveis da dispersão das toxinas que podem ser fatais”, lê-se no comunicado do organismo canadiano.

    Os possíveis riscos do Botox já tinham sido objecto de uma advertência da autoridade que regula o sector do medicamento e da alimentação nos Estados Unidos (FDA), em Fevereiro do ano passado.

    Seis meses depois, a publicação alemã Focus revelava que a Agência Europeia de Medicamentos (EMEA) tinha identificado mais de 600 casos em que as pessoas tiveram efeitos adversos graves depois de receberem injecções de Botox. Em 28 casos, os pacientes morreram.

    Os riscos do produto são conhecidos dos médicos e constam, inclusive, do Resumo das Características do Medicamento (RCM) que, em Portugal, acompanham o fármaco.

    No documento lê-se que “houve relatos muito raros de efeitos indesejáveis relacionados com a difusão da toxina para locais distantes do local de administração (fraqueza muscular exagerada, disfagia, aspiração/ aspiração por pneumonia, com desenvolvimento fatal nalguns casos) “.

    O documento refere que “desde que este medicamento foi introduzido no mercado foram relatados os seguintes efeitos indesejáveis : disartria, dor abdominal, visão distorcida, pirexia, paralisia facial focal, hipoastesia, mal estar, mialgia, prurido, hiperidrose, diarreia, anorexia, hipoacusis, tinitus, radiculopatia, sincope, miastenia gravis, eritema multiforme, dermatite psoriasiforme, vómitos e plexopatia braquial”.

    Em Portugal, o Botox tem autorização de comercialização desde Maio de 2000. O cirurgião plástico Biscaia Fraga disse à Lusa que o produto é cada vez mais utilizado, para fins médicos – uma área em que estão constantemente a ser descobertas novas aplicações – e estéticos.

    Por se tratar de “uma toxina letal que pode de facto matar”, Biscaia Fraga adverte para a necessidade de ser aplicada apenas por um médico, de preferência um especialista, e quando for o clínico a recomendá-la.

    O Botox é utilizado em Portugal por cirurgiões plásticos – na área da estética – e por especialistas como neurologistas, em casos de grandes contraturas musculares, ortopedistas, fisiatras e dermatologistas.

    Na área da cirurgia estética, o Botox é normalmente recomendado para a dissimulação de rugas que de outra forma não saem sem intervenção cirúrgica, os chamados “pés de galinha”, que são rugas junto aos olhos, para levantar a ponta do nariz ou as bandas no pescoço.

    Medicamento Sujeito a Receita Médica, o Botox é feito a partir de uma toxina que é produzida por uma bactéria e encontra-se, por exemplo, nos enlatados.

    Biscaia Fraga está totalmente contra a auto-aplicação do Botox e alerta para os terríveis efeitos que pode ter uma administração errada, como por exemplo de uma ampola não diluída.

    Na face, explicou, o Botox tem de ser aplicado quando está já altamente diluído, caso contrário pode ser grave.

    O especialista utiliza Botox em clientes há oito anos, reconhecendo que a utilização cresceu significativamente nos últimos cinco.

    Biscaia Fraga não tem dúvida que este medicamento vai continuar a ser cada vez mais utilizado, para fins estéticos e clínicos, lamentando contudo que determinadas figuras públicas tenham propagado este uso, quando são exemplos de uma errada aplicação.

    “Uma face tipo carta ou inexpressiva são alguns dos resultados de uma má aplicação do produto”, disse, acrescentando que a aplicação corre bem quando “ninguém se apercebe da acção interventiva do médico, mantendo um ar natural e espontâneo”.

    O Botox pode ser adquirido na farmácia, mediante receita médica, ao custo de 257,68 euros por embalagem com uma unidade de dez mililitros.

    Dez milhões de pessoas utilizam o Botox em todo o mundo. Em Portugal, este número não é contabilizado, uma vez que a sua identificação não é obrigatória.

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