C.S.I. - Coluna de Sexualidade Informativa

Para que serve a Terapia Sexual?

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couch-therapy A Terapia Sexual é uma atribuição da Sexologia, mesmo antes de esta existir como sabedoria autónoma, em mais um exemplo de algo que, antes de o ser, já o era: a Terapia Sexual sempre existiu, primeiramente confundida com feitiçaria e demais obscurantismo e, depois, com ciência, experimentação e factos! A Sexologia veio aglutinar um vasto corpo de conhecimentos, uns empíricos; outros decorrentes de investigação e experimentação com validade científica, cujo objectivo seria o de ajudar a compreender melhor a sexualidade, física, fisiológica, psicológica, emocional, comportamental, cognitiva e socialmente. Tudo isto para ajudar nas disfunções, para evitar doenças associadas, para esclarecer incertezas, desmistificar tabus e preconceitos; para apoiar a promoção de sexo mais seguro e de melhor qualidade. Como em todas as outras formas aglutinadas de conhecimento, a Terapia Sexual evoluiu, confirmando ou infirmando suposições, desfazendo ou conceptualizando crenças, suportando cientificamente achados tradicionais ou descobrindo novas asserções. E autonomizando a Terapia Sexual. Mas fará assim tanta falta a Terapia Sexual? Se recorrermos a outra necessidade humana essencial, que é a alimentação (segundo Maslow, o sexo, a par da alimentação e outras incluem-se nas necessidades fisiológicas básicas) encontramos na sua história evolutiva a introdução da gastronomia e da nutrição. Comer uma perna de javali assada deveria ser bem melhor que crua, antes da utilização do fogo como meio de melhorar a digestão e o sabor dos alimentos. Era a gastronomia a ensaiar os futuros gourmets, também como recurso, por exemplo, contra a falta de apetite. Em paralelo, também evoluía um certo conhecimento sobre nutrição: comer ovos dava mais energia que manjar folhas verdes e, essencialmente, numa aprendizagem por tentativa e erro, foi-se concluindo que ingerir cogumelos venenosos não dava saúde nenhuma, por oposição, por exemplo, a bifes de tartaruga (sem carapaça). A Terapia Sexual, por analogia à gastronomia e à nutrição aconselha a que se evitem cogumelos venenosos (doenças sexualmente transmissíveis, por exemplo); alvitra que a informação objectiva, a desmontagem de mitos, a melhoria da comunicação, o desfrute da intimidade e a aprendizagem do erotismo reduzem as indigestões e podem aumentar o apetite; sugere que existe, quase sempre, uma receita imaginativa para qualquer outro problema de nutrição sexual. Se recordarmos que, ainda há poucos anos, existiam suicídios masculinos por, na hora da prova da masculinidade da noite de núpcias terem tido um episódio de disfunção eréctil ou, continuar a haver ligações afectivas absolutamente afastadas do sexo, por problemas sexuais perfeitamente resolúveis, então, encontraremos, de modo algo melodramático, uma validade imediatamente utilitária para a Terapia Sexual. Mantendo as analogias com a alimentação, a Terapia Sexual será um restaurante com preocupações humanas e de nutrição, com salas absolutamente individualizadas e com privacidade, onde a lista não só é variada como pode ser permanentemente adaptada às necessidades do cliente, para que, na continuidade da frequência, esse cliente saia mais feliz e realizado, arrastando nessa realização afortunada quem mais ama e deseja. E, para manter as semelhanças, no fim (na maioria das vezes…) paga a conta! Sem gastronomia e nutrição e sem terapia sexual continuar-se-ia a comer e a ter sexo? Certamente que sim. Mas não seria a mesma coisa!…

Dr.º Marcelino Mota
Sexólogo
Especialista no Portal amulher.com
http://www.marcelinomota.com/

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