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Menopausa – Diz-me onde moras e dir-te-ei quem és

menopause-woman-in-bed

menopause-woman-in-bedA menopausa representa seguramente para as mulheres uma fase de mudanças fisiológicas e psicológicas importantes. Mas em que medida a forma como a mulher experiencia a menopausa, não é influenciada pelo contexto social, económico e cultural em que se vive?

Em que medida a forma como a mulher é olhada quando envelhece – valorizada ou desvalorizada – na sua imagem e nos seus papéis sociais interfere na representação que tem de si mesma e no modo como se relaciona com a menopausa?

Com o intuito de responder e clarificar algumas destas questões, diversos estudos têm sido levados a cabo ao longo do tempo, e todos eles apontam no sentido de considerar que a sintomatologia da menopausa varia de facto de acordo com as diferentes culturas.

Na China por exemplo, onde a idade é venerada, as mulheres não apresentam queixas relacionadas com a menopausa.

No Japão, regista-se uma dificuldade de tradução do termo afrontamento, por não existir na língua japonesa uma palavra com este significado, se bem que existam termos relacionados com pequenas mudanças do estado corporal.

De salientar ainda, que tanto as mulheres, como os médicos japoneses perspectivam a menopausa como uma transição natural, relacionada com o envelhecimento, em que os sintomas especificamente relacionados com as alterações endócrinas, como os afrontamentos, têm uma ocorrência irrelevante, sendo o resultado de alterações do sistema nervoso autónomo.

Interessante é igualmente notar que diversos estudos encontraram diferenças importantes na ocorrência dos afrontamentos entre as mulheres em fase de menopausa. Assim constatou-se que a percentagem de afrontamentos pode variar entre 80% nos países ocidentais, contra apenas 10% em países da Ásia oriental.

Estudos com mulheres negras têm revelado que também elas experimentam menos perturbações relacionadas com a menopausa, quando comparadas com as caucasianas. Uma explicação possível pode residir no facto de as mulheres de raça negra, não valorizarem tanto a sexualidade e feminilidade através do seu aspecto físico, mas antes através da força espiritual.

Vários estudos noutros países têm analisado os sintomas que ocorrem nesta fase – os sintomas específicos, que decorrem directamente da diminuição dos níveis hormonais de estrogénio e progesterona, e os sintomas não específicos, que podem ocorrer em qualquer outra fase de transição em consequência do stress – como as alterações de humor (irritabilidade, ansiedade e sintomas depressivos), os problemas de sono e de memória, a fadiga, a diminuição da libido ou as dores de cabeça, e notaram que no que respeita aos sintomas não específicos não encontraram diferenças entre as queixas apresentadas pelos homens e pelas mulheres neste período da vida, ou seja, que os mesmos são assim independentes da menopausa.

Estudos sobre o significado e a representação da menopausa em diferentes culturas, revelam igualmente a existência de profundas diferenças.

Um estudo realizado junto de mulheres afro-americanas demonstrou que estas tendiam a olhar a menopausa como uma transição esperada e natural e não associada a perturbações determinadas – havendo mesmo algumas que consideravam que estavam a viver um “pico” na sua vida sexual.

Em algumas culturas nativas, a mulher só pode ser “xamã”, um papel que é sinónimo de respeito e liderança, depois de ter ultrapassado a menopausa, pois só então retem o “sangue da sabedoria” e detem o poder para tomar decisões e assumir responsabilidades tanto em relação às crianças como às mulheres mais novas.

Também nas culturas celtas, a mulher mais velha tende a ser comparada como a semente – a parte que contém dentro de si o conhecimento e o potencial de todas as outras partes, enquanto a jovem é metaforicamente vista como a flor e a mãe como o fruto.

Inversamente é no ocidente que se assiste a uma maior desvalorização da mulher nesta fase do ciclo de vida. Efectivamente, nas culturas ocidentais, orientadas para o culto da juventude, a menopausa encontra-se frequentemente associada a medo de envelhecimento, a perda de estatuto e a problemas com a sexualidade, uma questão sem paralelo em sociedades com valores culturais diferentes.

Já agora, vale a pena reflectir sobre isto.

Autora: Isabel Policarpo
Psicóloga Clínica Especialista do Portal amulher.com
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