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Médicos oferecem consultas através das redes sociais

As novas tecnologias têm aproximado cada vez mais clínicos e doentes, seja através de ‘e-mail’ ou redes sociais seja ‘chats’ ou Facebook.  A comunicação faz-se de maneira mais rápida e eficaz, garantem os especialistas. Os doentes agradecem e dizem sentirem-se mais seguros.

Pode parecer um paradoxo, mas as novas plataformas da Internet, como blogues e redes sociais, funcionam cada vez mais como uma ferramenta de aproximação entre médicos e doentes. Embora não dispensem as consultas presenciais, cada vez mais especialistas usam a comunicação digital para falar com os doentes: dão dicas, respondem a dúvidas e dão autênticas consultas online.

"Este é o método do futuro e acompanha a evolução da sociedade. A saúde vai ter muito a ganhar e os doentes também", acredita João Alexandre Rodrigues, especialista em comportamentos aditivos, com um consultório de psicologia online.

"É a tendência dos nossos dias e cabe aos médicos da nova geração promover a aproximação aos doentes com as novas tecnologias", defende também Pedro Canas Mendes, director clínico do Hospital Particular de Almada, que, aos 59 anos, é um adepto fervoroso destas ferramentas. "Troco e-mails com as minhas doentes para resolver problemas simples e pouco urgentes, ou quando elas estão geograficamente distantes, como Cabo Verde ou Angola. Fico mais descansado e elas também", sublinha o ginecologista obstetra.

Luísa Fernandes, 30 anos, sente-se mais protegida desde que começou a tocar e-mails com o ginecologista que a operou a um tumor nos ovários. "Tenho de fazer exames de rotina todos os anos. Faço a primeira consulta, para ele me examinar, mas o resultado das análises mando em anexo por e-mail", conta a técnica superiora de psicologia, acrescentando: "Assim, evito a segunda consulta, poupo tempo e dinheiro. Mas, acima de tudo, sinto um enorme apoio porque o meu médico está à distância de um clique."

Mas há médicos que vão mais longe e oferecem mesmo consultas online, através de chats de conversação.

"A dinâmica é a mesma de uma consulta presencial. Peço sempre à pessoa para preencher previamente uma ficha clínica, detalhada e confidencial que me envia por e-mail. Depois é só marcar o dia e a hora para nos encontrarmos no chat", explica a nutricionista Madalena Muñoz, da clínica Check-Up Med, em Lisboa, acrescentando: "É óptimo para mães atarefadas, que têm os dias muito ocupados, e posso guardar o histórico da nossa conversa, para um acompanhamento mais rigoroso. Além de que é mais ecológico, não se gasta combustível nem papel."

A consulta online tem a duração de 30 minutos e custa 40 euros, menos dez euros do que a presencial. "Também disponho de pacotes de poupança. Se a pessoa comprar logo um pack de três, faço um desconto de dez euros", revela Madalena Muñoz.

João Alexandre Rodrigues também cobra menos pelas consultas online: 60 minutos custam 35 euros. "Não era justo estar a pedir o mesmo", defende. Mas, nos casos de adição, este meio é também a primeira opção de muitas pessoas porque não precisam de dar a cara. "Estou a tratar uma senhora do Alentejo com distúrbios alimentares, por exemplo, que já me confessou que nunca iria a uma consulta presencial. A Internet é mais acessível e permite uma conversa mais espontânea, sem constrangimentos."

Luís Romariz, especialista em medicina preventiva do instituto médico NewAge, também utiliza ferramentas, como o Skype, para avaliações prévias. "Se a pessoa estiver longe, faço primeiro uma espécie de entrevista online, recomendando logo que possível a consulta presencial", indica, lembrando que também costuma utilizar o e-mail para fazer chegar aos clientes respostas terapêuticas personalizadas e de forma gratuita.

O Facebook é a rede social que gera mais controvérsia. Alguns médicos encontram nesta ferramenta alguns perigos para a exposição dos doentes. Mas outros utilizam-na como uma forma de promoção e de debate. "Criámos uma página destinada aos pacientes com problemas de falta de cabelo, para que possam interagir e esclarecer dúvidas que, de outra forma, poderiam ter embaraço de colocar", revela Carlos Silva, director do Centro Médico CM2C. "Todos os dias colocamos conteúdos sobre saúde, bem-estar, estética e gastronomia saudável. E temos sessões de chat em que as dúvidas são respondidas em tempo real."

"Embora alguns doentes possam abusar e deixar o médico mais sobrecarregado, é importante procurar formas de racionar as despesas e dar resposta rápida aos problemas", conclui o ginecologista Pedro Canas Mendes.

 

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