C.S.I. - Coluna de Sexualidade Informativa

Existe uma crise de libido aos 30? E a mulher é mais feliz sexualmente aos 40?

libido40

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Diz-se que não é pelo sexo acabar quase sempre na cama que deve ser considerado uma doença. Abordar a sexualidade como quem disserta sobre reumatismo implica, evidentemente, falar de crises, de remissões, de ambientes favoráveis ou nem por isso, etc.

A sexualidade é humana (no caso em apreço) e, como tal, susceptível de estados e desempenhos sinusoidais, tal como a forma física em geral ou, como dizia Herman José, os interruptores, que umas vezes estão para cima e outras, para baixo. O sexo está na cabeça das pessoas (em sentido figurado, claro …) sendo influenciado por tudo o que lá se passe, seja no domínio das memórias; seja das expectativas, do estado de humor, dos afectos e, evidentemente, também, do saber que saiba. Por todas estas razões em condensado psicológico e, excluindo as causas orgânicas, que as há, igualmente, em razoável quantidade, mas que serão de mais fácil descarte, quase tudo pode suceder de bom e de menos bom na vivência da sexualidade, conforme esteja a cabeça. Mas, felizmente, estatísticas aparte, talvez a maioria das vezes essa vivência corra bem. Principalmente, se o “correr bem” – dentro da relatividade que tudo abarca –, não tiver como padrões de comparação, modelos mirabolantes de prazer, desempenho, resistência e felicidade fantasiados, por exemplo, nas revistas, ditas cor-de-rosa.

A crise da libido aos 30 anos, na mulher, a augurar que, 10 anos depois vai ser sexualmente feliz é tão real como a inversa, ou qualquer outra combinação de idades, felicidade e crise sexual. Não há nada que explique estes pretensos achados, a não ser a que decorra de uma imaginada análise social, que caldeie dados do antigamente (mulher casa aos 20 e aos 30 já se cansou da rotina e dos filhos), com alguns mais actuais: mulher que iniciou união de facto aos 29 e se cansou da rotina aos 30, arranja outro companheiro aos 31 e aos 40 anos…descobre outro mundo! Também existe, no pretenso suporte a esta ideia da crise dos 30 anos, a noção de que seria nesta idade que a mulher sentiria pela primeira vez a perca da sua frescura e percepcionava que o seu corpo estaria a perder terreno no confronto com as outras mulheres mais novas, adicionando-se ainda, a esta visão pessimista, o fardo de um cansaço frustrante com o trabalho e a vida rotineira. Este compacto de angústias poderia levá-la a procurar uma situação de reset à sua biografia para memória futura. Pode suceder, mas não é lei geral. Até porque o que nos povoa a cabeça nem sempre salta da intensão para a realidade. Fora disto não existe nenhum determinismo biológico ou psicológico para estas balizas etárias com estes desencontros e venturas. A história pessoal de cada mulher, incluindo a da relação afectivo-sexual que mantém, conta mais para o trajecto da sua sexualidade que qualquer asserção ou aforismo, por mais científica ou estatisticamente ornamentado que pareça apresentar-se.

Os 30 anos para a mulher, entronizados por Balzac, situam-na num centralismo democrático-etário de mais 10, menos 10; isto é, colocam-na na possibilidade, muito real, de se envolver com homens (ou com mulheres) de 20 ou de 40 anos, incluindo as idades intermédias. Ao contrário do homem, que quando entra nos entas (quarentas, cinquenta, etc.) se sente no início do declínio – o que, por vezes, o leva a correr contra o tempo metendo-se em grandes alhadas… –, a mulher, hoje em dia mais que nunca, por força das competências cirúrgicas, silicones, botox e cosmética avançada, não tem idade para a decadência (excepto quando está mesmo caduca e pensa que não, o que pode ocorrer em qualquer idade acima dos sessenta…).

Crise da libido aos 30 anos? Se houver – sem causas orgânicas – não será um problema da idade cronológica mas, eventualmente, do conteúdo da narrativa dos anos vividos. E terá tratamento.

Dr.º Marcelino Mota
Sexólogo
Especialista no Portal amulher.com
http://www.marcelinomota.com/

 

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