C.S.I. - Coluna de Sexualidade Informativa

Existe Bom ou Mau Sexo?

good

good Como em quase tudo na vida em que há contraponto, também existe bom e mau sexo. Mas a avaliação da qualidade não é, igualmente como na maioria do que povoa a nossa existência, referenciada a um só padrão: há, pelo menos, um padrão pessoal,

ou interpessoal, restrito ao casal ou mais alargado, de forma informal e outro, mais amplificado, ajustado por avaliações mais ou menos científicas e estatísticas, aferidas ao país ou ao continente, à cultura, à etnia ou à religião. Para simplificar a narrativa comparemos o sexo a um bolo. Mais ou menos sofisticado; mais ou menos complexo na sua elaboração. A qualidade final desse bolo depende da existência de todos os ingredientes necessários (as estruturas anatómicas e neurofisiológicas, na sexualidade, incluindo as hormonas); da qualidade desses componentes (estado das estruturas e aparelhos, artérias e vasos sanguíneos, por exemplo); da correcta mistura e batimento da massa (os preliminares – aqui percebe-se que falamos de sexo com penetração, já que os “preliminares” já são “sexo”…) e do tempo e temperatura do forno (a nossa cabeça e a nossa experiência: o sexo, tal como a felicidade, dentro de limites não estremados está na cabeça das pessoas!). Estando feito o bolo, a avaliação da sua qualidade também não é linear: depende dos provadores. Um especialista que distinga, pelo sabor, o ano de uma colheita de batatas de Chaves poderá reconhecer que a coisa se come mas não deslumbra nada; um outro que, por ter as papilas gustativas empenadas (tabaco em excesso, quem sabe…) não diferencie vinagre balsâmico de um tinto Alentejano, virar-se-á para o lado e adormecerá e, para quem tanto se lhe der degustar caviar como sangacho de atum, tudo estará normal. O bom sexo, na analogia culinária, será o que impelirá o casal, mesmo que seja diabético, para comer três ou quatro fatias do bolo, deixando-se depois ficar abraçado, sem sequer fazer a higiene: deixa lá, amanhã mudam-se os lençóis… Sobre o bom sexo estará tudo dito. Acerca do “mau” o que é necessário é investigar o que está disfuncional porque, para (quase) tudo há solução. Como no bolo, poderão melhorar-se os ingredientes ou acrescentar uns saborizantes, conservantes e corantes; poderá aprender-se melhor a mistura e o batimento da massa e, sobre o tempo e a temperatura do forno existirá sempre um trabalho a fazer, com as crenças, os mitos, os receios, os preconceitos, a auto-estima e a auto-imagem e eventuais traumas psicológicos existentes. Tudo isto rectificará a receita com promessa, gradual, de melhores resultados. O que é desejável é que, como sinal de que as experiências culinárias anteriores não foram muito gratificantes, não subsistam dores de cabeça estratégicas; adormecimentos precoces no sofá; hábeis desfasamentos nos horários da cama ou, pior ainda – com o péssimo significado de não ser só o sexo que está mal no par –, não ecoem pela casa frases do género, “estar contigo ou com um saco de batatas (mesmo sem serem de Chaves) é igual. A vantagem é no fim não ter que carregar contigo às costas…”; ou “se soubesse que eras assim tinha casado com um coelho (não político): pelo menos quando me chateasse, em vez do divórcio tinha jantar! Há bom e mau sexo? Há. Se for bom, desfrutem! Se for mau procurem ajuda especializada. Existem bons sexólogos. Mesmo que não usem chapéus de cozinheiros.

Dr.º Marcelino Mota
Sexólogo
Especialista no Portal amulher.com
http://www.marcelinomota.com/

Sobre o Autor

aMulher

aMulher

A equipa de aMulher.com

Deixe o Seu Comentário