Entrevistas

Chocolate – entrevista ao Dr Manuel Barata Simões

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Durante estes anos todos o consumo de chocolate foi alvo de inúmeros mitos. Afinal este doce pecado contém várias  Virtudes…desde que consumido com moderação!
O porta-voz da ACHOC (Associação dos Industriais de Chocolates e Confeitaria), Dr. Manuel Barata Simões, vai ajudar-nos a desmistificar algumas ideias pré-concebidas que normalmente afectam o alimento e o seu consumo.
Existem mitos sobre o chocolate, quais?
Existem muitos mitos, mas talvez os mais comuns sejam os que afirmam que o chocolate faz mal aos
dentes (afinal o que faz mal é não lavar os dentes), que engorda (como qualquer alimento, engorda
se for comido em excesso), que provoca acne ou borbulhas (o chocolate não é a causa, mas pode
potenciar o seu aparecimento).

Quais os benefícios do chocolate?
O chocolate e os derivados do cacau são alimentos de origem natural, nutritivos e com
vários benefícios. Ao conterem polifenóis, ajudam a prevenir os problemas cardiovasculares,
já que contribuem para melhorar a fluidez das artérias e, portanto, beneficiam o coração.

O triptofano existente no cacau, matéria-prima básica do chocolate, aumenta a produção de
serotonina, um neurotransmissor, ligada à sensação de prazer, tendo por isso um efeito positivo na
melhoria do bem-estar geral. Por conter bioflavonóides o cacau tem características antioxidantes,
com acção anti-inflamatória e rejuvenescedora.

 

 

 

 

 

 

O chocolate de leite contribui ainda para a melhoria dos níveis de cálcio, e de uma forma geral é
também rico em minerais como o potássio, o fósforo e o magnésio. Contém vitamina B1 (tiamina) e
ácido fólico, nutrientes indispensáveis e reguladores do metabolismo.

Os Portugueses consomem muito ou pouco chocolate?
O consumo anual per capita no nosso país é muito baixo, ronda os 1,4 kgs, quando comparado com
outros países (Espanha com cerca de 3,5 kgs, Itália um pouco mais e em países como a Inglaterra
ou Alemanha, é de cerca de 10kgs/ano). Nesses países o chocolate é considerado um alimento um
complemento, ou mesmo um suplemento nas refeições básicas.

Quais os picos de consumo de chocolates?
A Páscoa e o Natal são considerados os dois picos mais relevantes para o sector representando perto
de 60% do total anual. Isto porque muitos consumidores nacionais encaram, ainda, o chocolate como
uma prenda ou gratificação.

Mais mulheres ou Homens a consumi-lo?
Depende, existem chocolates para todos os gostos, branco, negro, com frutos (…).

Tanto os homens como as mulheres consomem chocolate, apesar de, como é do senso comum,
serem muitas vezes as mulheres a comprar chocolate, já que são elas, que na maioria das vezes,
fazem as compras quer seja para consumo próprio ou oferta.

Considera o chocolate um produto de luxo, para ter o IVA tão elevado?
Na verdade o chocolate é um alimento e deve ser entendido como tal. É produzido a partir
da semente do cacau, portanto é um alimento de origem natural, altamente nutritivo e com
destacados benefícios para a saúde. O seu consumo moderado tem múltiplas vantagens. Em
Portugal existe muito a tendência de o chocolate ser um presente, mas é muito mais do que isso,
é um alimento. Saliento que o chocolate é um alimento natural, que pode complementar uma

refeição ou ‘quebrar’ o apetite nos intervalos das refeições principais. Os pequenos formatos
(barritas, pequenas tabletes) que conhecemos hoje em dia permitem esse efeito e a variedade de
apresentações e sabores incorporados asseguram um resultado nutritivo positivo e sem dúvida
muito agradável.

Em relação ao IVA, defendemos a redução do mesmo, devendo situar este produto – como é
reconhecido internacionalmente – como um produto alimentar e por outro lado de forma a
impulsionar o seu consumo.

Como devia ser feito o incentivo ao seu consumo?
Defendemos a redução do IVA do chocolate para 6%, (a taxa actual é de 21%), de forma a
impulsionar o negócio e, dado que em Espanha tem a taxa reduzida (8%), irá levar à eliminação
do “mercado paralelo”, que penaliza em cerca de 20% o sector do chocolate. Esta medida, com
efeito na baixa do preço e o consequente aumento do consumo, irá trazer benefícios para a
economia nacional. E em benefício dos consumidores portugueses. Para além da pretendida
equidade fiscal no espaço europeu, seria eliminada a concorrência desleal de que são vítimas os
actores de mercado que actuam no respeito da lei.

 

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