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Brendan Perry em Portugal

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Durante as décadas de 80 e 90, e temporariamente em 2005, poucos projectos podem gabar-se de terem apaixonado tanta gente tão diferente. Apelando às mais diversas tendências e tribos do espectro musical, dos shoegazers britânicos aos black metallers noruegueses, BRENDAN PERRY e Lisa Gerrard construíram um percurso tão ecléctico e singular quanto se possa imaginar. Do pós-punk gótico dos primeiros discos, os Dead Can Dance abraçaram a world music e criaram discos encantadores, de envolvências obscuras e ambientes melancólicos. A sua música espalhou-se pelo mundo a que iam beber as suas influências e as canções foram parar não só a discos brilhantes como «The Serpent’s Egg» ou «Spiritchaser», mas também a séries de televisão e filmes de Hollywood. O percurso iniciado em 1981 terminou em 1998, exceptuando a “reunião” em 2005.
No entanto, nem os fãs tinham ainda enterrado mentalmente o seminal e influente duo, quando a metade masculina dos Dead Can Dance dava o tiro de partida para a sua carreira a solo. «Eye Of The Hunter» chegou aos escaparates em 1999 e, dois anos depois, o músico introduzia-se no universo das bandas-sonoras. Nada interessado em estagnar, Perry juntou-se ao irmão Robert e, de 2000 a 2005, esteve totalmente envolto no mundo dos workshops de percussão africana e afro-cubana. A “reunião” da sua banda de sempre deu-lhe atento para regressar ao mundo da música mais mainstream e 2010 vai ver o lançamento do há muito aguardado sucessor do já longínquo «Eye Of The Hunter». A novidade «Ark» promete ambientes construídos a partir de teclados e outras texturas sonoras e, segundo a própria voz dos Dead Can Dance, é o mais próximo que já esteve deles. Brendan Perry vai trazer o seu espectáculo a Portugal para dois concertos – a 14 de Março no Santiago Alquimista (em Lisboa) e, no dia seguinte, no Theatro Circo (em Braga).

BIOGRAFIA

Embora a sua carreira e a dos Dead Can Dance sejam indissociáveis, BRENDAN PERRY nem sempre foi apenas o sossegado e introspectivo vocalista dos Dead Can Dance. Em 1997 já era um dos elementos chave dos The Scavengers, vistos pela imprensa local como a resposta da Nova Zelândia aos Buzzcocks. Brendan Michael Perry nasceu em Londres, a 30 de Junho de 1959. Filho de mãe irlandesa e pai londrino, era o mais velho dos três filhos do casal Anne e Michael. À excepção de um curto período num coro de liceu nunca tinha tido aulas de música, mas, sozinho, começou a aprender a tocar guitarra quando aos catorze anos. Em 1973 os pais emigram para a Nova Zelândia e levam os filhos com eles, Por esta altura a música já fazia parte da vida de Perry e, aos 17 anos, o músico começou a tentar tocar nas primeiras bandas. Ainda não suficientemente capacitado para ser aceite pelos grupos mais progressivos, encontrou refúgio nos The Scavengers e, no calor de um movimento em ebulição, transformou-se num pioneiro do punk por aquelas paragens. «Mysterex», co-escrita por Perry, transformou-se num dos singles punk rock mais famosos da Nova Zelândia. Eventualmente os músicos mudam-se para a mais cosmopolita Melbourne, mudam de nome para The Marching Girls, embarcam por uma direcção mais pop e Perry acaba por abandonar.
Influenciado pelos PIL e Joy Division, começa a trabalhar com percussão, sintetizadores e loops – sempre sozinho. Conhece Lisa Gerrard e os Dead Can Dance acabam por nascer ainda na Austrália, mas – face às reacções pouco calorosas que receberam as primeiras actuações ao vivo – acabam por tentar a sorte em Londres. O projecto assina contrato com a lendária 4AD em 1988 e, durante os dezasseis anos seguintes, lança oito álbuns e um disco ao vivo aclamados pela crítica e pelo público. Foi ainda durante o processo de escrita do nono disco de estúdio que a química entre Perry e Gerrard começou a deixar de funcionar, sendo que dois músicos decidiram então seguir caminhos separados. «Eye Of The Hunter», editado em 1999, deu início à carreira a solo de Perry e mostrou-o em regime ainda mais introspectivo. Não é por isso totalmente estranho que, à excepção dos concertos que deu com os Dead Can Dance em 2005, o multi-instrumentista tenha passado a última década ocupado com workshops de percussão e com a criação dos The Salamanders, uma escola/comunidade de samba. Onze anos depois do último álbum de originais surge agora o regresso às edições em nome próprio, com um trabalho que promete apaixonar quem o ouvir. «Ark» foi escrito, gravado e produzido pelo próprio Perry – afirmando-se como o trabalho mais independente e pessoal que assinou em toda a sua carreira.

A voz  masculina dos DEAD CAN DANCE
14 de Março – Santiago Alquimista – Lisboa
15 de Março – Theatro Circo – Braga

Ouça aqui: http://www.youtube.com/watch?v=Zmq15GjsBW0

site: http://www.brendan-perry.com/

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