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As mulheres não percebem nada de mulheres

Uma das características mais curiosas das mulheres é não perceberem nada de mulheres. Não me estou aqui a referir à questão da psicologia feminina, matéria que nem Deus domina, ou não se teria deixado aldrabar por Eva nos jardins do Paraíso. Estou a falar da incapacidade das mulheres para avaliarem a beleza de outras mulheres. Se perguntar a uma amiga minha se uma rapariga qualquer que eu não conheço é gira, já sei à partida que a resposta não é para levar a sério. Não se trata sequer de a realidade ser exactamente o contrário daquilo que ela diz, tipo: se uma mulher disser sobre outra que é feia é porque é gira; e se ela disser que é gira é porque não tem interesse nenhum. Trata-se de uma completa ausência de critério, de uma confusão lamentável acerca do cânone da beleza ocidental. Ou melhor, não é que as mulheres tenham falta de critério. Elas têm é critérios a mais. Lembro-me perfeitamente de participar numa discussão entre homens e mulheres acerca dos méritos da bombástica Scarlett Johansson, e de que como uma altíssima percentagem de senhoras achava que Scarlett era bimba e tinha um ar vulgar. Nós, homens, até estávamos dispostos a admitir que Scarlett era um bocado bimba (ou seja, não se vestia com a elegância que a sua vasta conta bancária permitiria) e muito vulgar (ou seja, tinha pinta de gostar demasiado dos prazeres da vida), mas ninguém percebia como é que isso chegava sequer a ser defeito. Munidas do seu imparável microscópio mental e do seu altíssimo poder de computação, as mulheres analisam as outras mulheres a partir de uma lista com 457 itens – 400 dos quais nós nem chegamos a atingir –, que depois aplicam a uma elaborada (e incompreensível) fórmula para concluir se aquela senhora é gira ou não. Entre esses itens podem incluir-se pormenores tão subtis quanto a capacidade para conjugar as malas com os sapatos ou a forma como as sobrancelhas estão delineadas. A nós, homens, bastam-nos para aí uns dois itens e uma conta de somar. Não é que sejamos insensíveis à forma como as senhoras se vestem, falam ou se movem, mas tudo aquilo que pode ser aprendido ou modificado não conta para a avaliação final. Por causa disto, as mulheres acham que somos uns brutos, e que só pensamos “numa coisa”. Mas ainda que só pensemos numa coisa, nós não somos brutos. Somos apenas pragmáticos. João Miguel Tavares, Jornalista (jmtavares@cmjornal.pt)

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