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A mulher-peixe que chegou aos 96 metros de profundidade

Britânica bateu novo recorde do mundo de mergulho livre ao atingir, sem qualquer ajuda técnica, uma profundidade equivalente  à altura do Big Ben. Esteve sem respirar durante três minutos e 36 segundos
Sara Campbell mergulhou mais fundo no domínio dos limites da resistência humana e bateu um novo recorde de mergulho livre feminino. A inglesa mergulhou até uma profundidade de 96 metros nas águas de Long Island, nas Bahamas, sem qualquer ajuda técnica, sustendo a respiração durante três minutos e 36 segundos.

Num desporto extremo onde os praticantes estão em constante desafio com a morte, arriscando até profundidades limite sem qualquer aparelho de oxigenação, Sara Campbell mergulhou até uma profundidade equivalente à altura da torre do Big Ben, em Londres.

“O mergulho foi excelente e sinto-me fantástica”, disse a britânica, já apelidada de “mulher-peixe”, ao jornal The Times após bater o novo recorde do mundo. “A determinada altura comecei a ter pensamentos negativos do género ‘será que quer mesmo fazer isto?’, mas depois disse a mim mesma para não ser ridícula e apenas fazer o trabalho, ir até ao fundo”, acrescentou Sara, uma professora de ioga e ex-Relações Públicas que trocou Londres por Dahab, no Egipto, em 2005.

Foi em África, quase por acaso, que Sara Campbell descobriu a sua aptidão para o mergulho, durante as aulas de ioga. “Foi tudo graças ao ioga. Há muitos ‘cânticos’ nas sessões de ioga e eu descobri que conseguia aguentar a nota mais tempo do que qualquer outra pessoa. Então uma aluna minha perguntou-me se não queria experimentar o mergulho livre, como tinha essa capacidade de suster a respiração e gostava bastante de nadar. Eu disse-lhe que ela estava doida, mas ela insistiu durante quase um ano e eu resolvi experimentar”, explicou Sara ao The Guardian.

Desde a primeira experiência até ao primeiro recorde do mundo, em 2007, passaram apenas nove meses, quando a maioria dos mergulhadores precisa de anos de treino. A explicação, ou pelo menos parte dela, está no próprio corpo de Sara Campbell, uma mulher de apenas 1,52 metros de altura e com os pulmões 25% maiores do que a média numa pessoa da sua altura, o que lhe permite reter uma maior quantidade de ar antes de mergulhar.

Por tudo isso, a britânica, de 37 anos, é um alvo apetecível de estudo para a comunidade científica. “Uma especialista sueca em fisiologia animal estava interessada em estudar as semelhanças entre os mergulhadores e o golfinhos e chegou à conclusão que eu sou a primeira mergulhadora ‘natural’ que ela já viu. Passar de principiante a recordista do mundo em nove meses, de facto, não é normal. No fundo, acho que sou uma aberração”, resume bem disposta a recordista mundial do mergulho livre que, em 2007, bateu três recordes no espaço de 48 horas.

Este novo recorde, conseguido quinta-feira numa caverna subaquática em Long Island, Baamas, conhecida por Dean’s Blue Hole, teve uma motivação extra. No ano passado, Sara Campbell viu a mãe morrer 10 dias antes de duas tentativas de recorde que tinha já programadas. “A última coisa que ela me disse foi para mergulhar pelos recordes”, lembra a britânica, que agora quer ser a primeira mulher a mergulhar abaixo dos 100 metros.

in JN

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